O que está por trás da recusa alimentar — e o que fazer já na próxima refeição.
Guia gratuito em PDF · Luciene Jokoski, terapeuta ocupacional com quase 20 anos de clínica
Terça, 19h40. O prato que você caprichou continua intacto pela terceira vez esta semana. Você já conversou, já negociou, já prometeu sobremesa — e agora está tentando não chorar na frente dele.
A recusa alimentar não é birra nem falta de limite. Para muitas crianças com TEA, TPS ou TDAH, textura, cheiro e temperatura chegam amplificados — a ponto de o próprio DSM-5 reconhecer um quadro clínico de evitação alimentar por características sensoriais (ARFID). Nenhuma força de vontade, nem a sua nem a dela, vence isso sozinha.
Se você já tentou de tudo
Você já forçou, já escondeu legume no molho, já prometeu sobremesa, já deixou o prato até esfriar. Nada disso falhou por falta de firmeza sua: falhou porque foi pensado para uma criança que sente a comida de outro jeito. Aqui a ordem é outra — segurança primeiro, variedade depois.
Para quem é
Para quem já viu o jantar terminar em choro e ouviu, no dia seguinte, que "é só questão de educação".
O que tem dentro
Isto não é diagnóstico e não substitui a terapia do seu filho. Não promete que ele vai comer de tudo, dormir a noite inteira ou parar de ter crises — ninguém pode prometer isso, e quem promete está vendendo outra coisa. O que está aqui é a parte que depende de você: entender o que está acontecendo e saber o que fazer a seguir.